Férias escolares: quais cuidados os condomínios devem adotar?

As férias escolares são sinônimo de alegria para crianças e adolescentes, que aproveitam o período para brincar e explorar as áreas comuns dos condomínios. No entanto, esse aumento na circulação de jovens exige cuidados redobrados de síndicos, administradores, pais e condôminos para garantir um ambiente seguro e acolhedor. João Marcelo Frey, Gerente de Negócios de Condomínios da APSA, compartilha orientações fundamentais para prevenir acidentes e promover a convivência harmoniosa durante esse período.

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Um período de atenção redobrada

Dados do Ministério da Saúde apontam que, anualmente, cerca de 3,6 mil crianças de até 12 anos morrem no Brasil devido a acidentes, e outras 111 mil são internadas. Muitos desses casos ocorrem em ambientes que deveriam ser seguros, como áreas comuns de condomínios.

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No ano passado, alguns casos fatais envolvendo crianças em áreas comuns foram amplamente noticiados, como o de uma menina de 12 anos eletrocutada em São Paulo e outra de sete anos que faleceu no Rio de Janeiro após o desabamento de uma pilastra em um playground. São tragédias que poderiam ter sido evitadas com cuidados básicos de manutenção e supervisão”, destaca Frey.

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Para evitar incidentes, é essencial que os condomínios adotem medidas preventivas e promovam a conscientização coletiva. Confira as principais recomendações para tornar as férias escolares um momento de diversão segura:

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  1. Revisão completa das áreas comuns: As áreas de lazer, como playgrounds, quadras e salões de jogos, devem passar por uma manutenção rigorosa antes e durante as férias. Verificar a integridade de pisos, brinquedos, estruturas metálicas e pontos de energia é fundamental para evitar acidentes. Um cronograma intensificado de limpeza também ajuda a manter esses espaços seguros e agradáveis.
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  1. Regras claras para o uso da piscina: A piscina é um dos locais mais frequentados durante as férias, mas também um dos mais arriscados. Além de exigir a presença de um adulto responsável, o condomínio deve garantir que as regras do regimento interno sejam claras e bem sinalizadas. Isso inclui orientações sobre o uso de boias, horários permitidos e comportamento adequado. No Rio de Janeiro, é imprescindível seguir a Lei nº 3.728, de 13 de dezembro de 2001, que regula o uso de piscinas em condomínios.
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  1. Reforço na segurança e controle de acesso: As férias escolares muitas vezes coincidem com um aumento no fluxo de visitantes e locações por temporada. Para manter a segurança, é essencial intensificar a vigilância, atualizar cadastros de visitantes e revisar os protocolos de entrada e saída. Um controle de acesso eficiente reduz riscos e garante a tranquilidade dos moradores.
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  1. Escolha criteriosa de prestadores de serviço: Se o condomínio optar por contratar colônias de férias ou recreadores, é essencial escolher empresas especializadas, com boas referências e seguro de responsabilidade civil. A decisão deve ser discutida e aprovada em assembleia, garantindo transparência e consenso entre os condôminos.
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  1. Comunicação ativa com moradores: O síndico deve aproveitar o período de férias para reforçar as normas do regimento interno. Comunicados em murais, e-mails ou aplicativos de gestão condominial são ferramentas eficazes para lembrar os moradores sobre horários de uso das áreas comuns, proibição de brincadeiras em escadas e elevadores e penalidades por infrações.
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  1. Postura adequada dos funcionários: Os funcionários do condomínio devem ser orientados a evitar advertências diretas às crianças, exceto em situações de risco iminente. A abordagem ideal é sempre dialogar com os pais ou responsáveis, de forma respeitosa e colaborativa, para manter um ambiente harmonioso.
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  1. Criação de uma comissão infantil: Uma iniciativa criativa é a formação de uma comissão infantil, envolvendo crianças e adolescentes nas boas práticas do condomínio. Essa ação promove o protagonismo dos jovens, incentiva o senso de responsabilidade e facilita a compreensão das regras de convivência. Atividades como oficinas de cidadania e pequenas tarefas supervisionadas podem ser incluídas para engajar os participantes.
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Consciência coletiva: a chave para a segurança

João Marcelo Frey enfatiza que a segurança não deve ser uma preocupação apenas durante as férias. “A segurança é resultado de um conjunto de fatores, que inclui manutenção preditiva, gestão eficiente e participação ativa dos moradores. É fundamental que todos, especialmente pais e responsáveis, estejam atentos aos riscos e compartilhem a responsabilidade de cuidar das crianças”, reforça.

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Além disso, Frey destaca que a responsabilidade primária pelo cuidado das crianças é dos pais ou responsáveis legais. “Os responsáveis legais que devem ter cuidado pelas crianças, por isso, quando se trata desses moradores em espaços comuns, o correto é que sempre estejam acompanhados”, explica. Ele também chama a atenção para a importância da supervisão ativa:

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Eles devem estar atentos o tempo todo com as crianças. Por exemplo, se perceberem que a brincadeira está ficando perigosa, o adulto deve alertar a criança a mudar ou se afastar de um local que pode oferecer algum risco de se machucar.”

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O que diz a lei

A legislação também reforça a importância da supervisão e da comunicação clara nos condomínios. A Lei nº 9.683/22, em vigor desde 11 de agosto de 2022, determina que condomínios residenciais e comerciais afixem, em áreas comuns, cartazes ou placas com informações sobre canais oficiais de denúncia de violência e negligência contra crianças e adolescentes. Além disso, a Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados do Rio de Janeiro aprovou um projeto de lei que prevê multas de cinco a 20 salários mínimos para quem deixar crianças menores de 12 anos sem supervisão em veículos, coberturas ou áreas comuns, como piscinas e playgrounds. Síndicos que não afixarem informações sobre faixas etárias e condições de uso das áreas comuns também podem ser multados, com penalidades que variam de três a 10 salários de referência.

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Férias seguras e felizes

Com planejamento, diálogo e prevenção, as férias escolares podem ser uma oportunidade para fortalecer a convivência e garantir a segurança de todos no condomínio. A combinação de manutenção adequada, regras claras, supervisão atenta e engajamento coletivo transforma o período de descanso em um momento de diversão sem preocupações. Ao adotar essas medidas, o condomínio não apenas protege suas crianças e adolescentes, mas também reforça o senso de comunidade e responsabilidade compartilhada.

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