Nova norma para carregadores de veículos elétricos em garagens

Com o crescimento exponencial da adoção de veículos elétricos no Brasil, a segurança nas garagens de condomínios residenciais e comerciais tornou-se uma preocupação central. Em resposta a esse cenário, o estado de São Paulo está finalizando uma nova norma que regulamentará a instalação e operação de pontos de recarga para carros elétricos em garagens de prédios. Desenvolvida pelo Corpo de Bombeiros, com colaboração do Governo do Estado e da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), essa regulamentação visa mitigar riscos de incêndio e garantir a segurança de moradores, trabalhadores e visitantes. Este artigo detalha os principais pontos da norma, os desafios enfrentados durante sua elaboração e as implicações práticas para a gestão de condomínios.

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Contexto e relevância da norma

A popularização dos veículos elétricos no Brasil, impulsionada por incentivos fiscais e maior conscientização ambiental, trouxe um aumento significativo na demanda por infraestrutura de recarga em condomínios. Estima-se que, em 2024, o país ultrapassou a marca de 100 mil veículos elétricos e híbridos plug-in em circulação, segundo dados da ABVE. Essa expansão trouxe à tona um desafio: as garagens de prédios, muitas vezes localizadas em subsolos com ventilação limitada, não foram projetadas para atender às exigências de segurança específicas das baterias de íons de lítio, amplamente utilizadas nesses veículos.

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As baterias de lítio, embora eficientes, apresentam riscos específicos, como a fuga térmica – um processo em que a bateria superaquece de forma descontrolada, liberando calor intenso, gases tóxicos e, em casos extremos, causando incêndios difíceis de conter. Reportagens recentes, como as publicadas pela Folha de S.Paulo, destacaram incidentes em que a ausência de regulamentação adequada para carregadores em garagens comprometeu a segurança de prédios, especialmente em áreas de subsolo. Esses casos motivaram a criação de uma norma técnica robusta, que busca alinhar o Brasil a padrões internacionais de segurança, como os adotados nos Estados Unidos e na Europa.

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Desenvolvimento da norma

A elaboração da nova regulamentação envolveu mais de um ano de discussões entre especialistas do Corpo de Bombeiros, representantes do Governo de São Paulo, montadoras de veículos, construtoras e a ABVE. O processo incluiu:

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  • Testes no laboratório de Franco da Rocha (SP): Foram realizados experimentos para avaliar o comportamento de baterias de lítio em situações de sobrecarga, curto-circuito e incêndio.
  • Simulações internacionais: Estudos de casos de países como EUA, China e Alemanha, onde normas específicas já existem, serviram de referência.
  • Treinamentos conjuntos: Bombeiros brasileiros participaram de workshops com equipes internacionais, como no Workshop Internacional Eletromobilidade & Segurança nas Edificações de 2025, para alinhar práticas de prevenção e combate a incêndios.
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Propostas iniciais, como a exigência de 5 metros de distância entre vagas ou a construção de paredes corta-fogo, foram descartadas devido à resistência do setor automotivo e da construção civil, que argumentaram dificuldades técnicas e aumento de custos. Após intensos debates, chegou-se a um consenso que equilibra segurança, viabilidade econômica e adaptação às diferentes realidades dos condomínios brasileiros.

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Principais exigências da nova norma

A norma, que está em fase final de tramitação e deve ser publicada nas próximas semanas, estabelece requisitos específicos para garantir a segurança nas garagens equipadas com carregadores de veículos elétricos. As principais medidas incluem:

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1 - Prédios Novos: Para condomínios construídos após a entrada em vigor da norma, as garagens com pontos de recarga deverão contar com:

  • Chuveiros automáticos (sprinklers): Sistemas de combate a incêndio que liberam água automaticamente ao detectar calor ou fumaça, essenciais para conter rapidamente qualquer princípio de incêndio.
  • Sistemas de exaustão mecânica: Equipamentos para remover gases tóxicos liberados por baterias em caso de falha, garantindo ventilação adequada em ambientes fechados, como subsolos.
  • Sensores de calor e fumaça: Dispositivos de monitoramento para detectar anomalias térmicas ou químicas, acionando alarmes e sistemas de segurança.
  • Infraestrutura elétrica reforçada: Cabos, disjuntores e tomadas compatíveis com as especificações dos carregadores, evitando sobrecarga ou curtos-circuitos.
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Essas exigências serão aplicadas a todas as vagas de garagem, independentemente de serem destinadas a veículos elétricos ou a combustão, visando um padrão uniforme de segurança.

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2 - Prédios Antigos: Para edifícios já existentes, a norma prevê adaptações que consideram as limitações estruturais de cada construção. Entre as medidas:

  • Avaliação técnica obrigatória: O Corpo de Bombeiros realizará vistorias para verificar a viabilidade de instalação de carregadores, podendo vetar pontos de recarga em garagens que não atendam aos requisitos mínimos de segurança.
  • Soluções alternativas: Em casos de impossibilidade de instalar sprinklers ou exaustores, poderão ser exigidos sistemas adicionais, como extintores específicos para baterias de lítio ou barreiras de contenção.
  • Plano de adequação: Condomínios terão um prazo para implementar as mudanças, com orientações específicas fornecidas pelos bombeiros.
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3 - Abrangência Geral: A norma não se limita às vagas destinadas a veículos elétricos, mas abrange todas as áreas de estacionamento, reconhecendo que um incêndio em uma vaga pode se propagar rapidamente para outras. Além disso, a regulamentação inclui diretrizes para:

  • Treinamento de equipes: Síndicos e funcionários de condomínios deverão passar por capacitações sobre prevenção de incêndios e uso de equipamentos de segurança.
  • Manutenção periódica: Sistemas de sprinklers, exaustores e sensores precisarão de inspeções regulares para garantir seu funcionamento.
  • Sinalização clara: Identificação de áreas com carregadores e instruções de segurança para usuários.
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Implicações para síndicos e administradores de condomínios

A nova norma trará mudanças significativas na gestão de condomínios, exigindo planejamento e investimento. Síndicos e administradores devem estar atentos aos seguintes pontos:

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  1. Planejamento financeiro: A instalação de sprinklers, exaustores e sensores pode representar um custo elevado, especialmente em prédios antigos. É recomendável incluir essas despesas no orçamento condominial e discutir em assembleias.
  2. Contratação de profissionais qualificados: Engenheiros eletricistas e empresas especializadas em segurança contra incêndios serão essenciais para projetar e implementar as adequações.
  3. Comunicação com moradores: É crucial informar os condôminos sobre as mudanças, destacando a importância da segurança e os benefícios de longo prazo, como a valorização do imóvel.
  4. Cumprimento de prazos: A norma estabelecerá prazos para adequação, e o descumprimento pode resultar em multas ou proibição de uso dos carregadores.
  5. Monitoramento contínuo: Após a implementação, será necessário manter um cronograma de manutenção e vistorias para garantir a conformidade com a regulamentação.
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Benefícios da nova norma

Apesar dos desafios, a regulamentação traz benefícios claros:

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  • Segurança reforçada: A redução do risco de incêndios protege vidas, patrimônios e evita tragédias em ambientes densamente ocupados, como condomínios.
  • Valorização imobiliária: Prédios adaptados às normas de segurança tendem a atrair mais compradores e locatários, especialmente com a crescente demanda por infraestrutura para veículos elétricos.
  • Alinhamento com padrões globais: A norma coloca o Brasil em linha com práticas internacionais, aumentando a confiança de investidores e montadoras no mercado nacional.
  • Sustentabilidade: Ao viabilizar a infraestrutura para veículos elétricos, a regulamentação incentiva a mobilidade sustentável, contribuindo para a redução de emissões de carbono.
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Desafios e perspectivas

A implementação da norma enfrentará obstáculos, como o alto custo de adaptação em prédios antigos e a resistência de alguns condomínios em realizar investimentos. Além disso, a capacitação de bombeiros e técnicos para lidar com incêndios envolvendo baterias de lítio ainda está em fase inicial no Brasil. No entanto, a colaboração com especialistas internacionais e os testes realizados no laboratório de Franco da Rocha demonstram um compromisso sério com a segurança.

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No longo prazo, espera-se que outros estados brasileiros sigam o exemplo de São Paulo, criando regulamentações similares. A ABVE já sinalizou a intenção de trabalhar com o governo federal para estabelecer uma norma nacional, o que poderia uniformizar padrões e facilitar a adoção de veículos elétricos em todo o país.

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Conclusão

A nova norma para carregadores de veículos elétricos em garagens de prédios é um marco na modernização da infraestrutura condominial no Brasil. Embora exija esforço e investimento, ela representa um avanço crucial para garantir a segurança em um cenário de crescimento da eletromobilidade. Síndicos e administradores de condomínios devem se preparar desde já, buscando informações detalhadas, planejando adaptações e engajando os moradores nesse processo. A segurança de todos depende de uma gestão proativa e alinhada com as melhores práticas.

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Para mais informações, acompanhe as publicações oficiais do Corpo de Bombeiros de São Paulo e da ABVE. A regulamentação deve ser publicada nas próximas semanas, trazendo diretrizes claras para o futuro da mobilidade elétrica em condomínios.

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